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6 Dicas valiosas para você praticar Forró em casa

Afinal, é mesmo possível dançar forró sozinho em casa?

Como faço para me aperfeiçoar na dança sem ir a uma academia de dança ou um baile de forró?


Você, ao clicar e ler este conteúdo já deu seu primeiro passo para a resposta dessas e outras eventuais perguntas que possam surgir. Em tempos de restrições sociais, nossa criatividade é desafiada diariamente para que consigamos adaptar nossas atividades à rotina caseira e, em muitos casos, de maneira solitária. Fique por dentro e se ligue em novas possibilidades para explorar esse mundo do forró. Antes de tudo, um pequeno spoiler para a pergunta que fiz no começo:

- Sim, é possível dançar forró sozinho!

 

Mas, o forró não é a dois?


Como já dizia o Rei:



O forró é união, o forró é alegria, é o povo arrastando o pé no salão com o fole soprando em harmonia. Às vezes é difícil pensarmos em festividade quando não a estamos compartilhando com demais pessoas, não é mesmo?


Apesar de comumente remetermos o forró à dança a dois, o forró é muito mais que isso: é história, é cultura, é estilo musical enraizado no Brasil que cria novos ramos a cada dia.

Foi pensando nisso que reuni as dicas essenciais para que você se mantenha conectado com o forró, independente de ter um par de dança ao seu lado. Começo pela sessão prática e, a primeira dica, se você já não a segue, você pode começar já:


 

1. Incorpore pequenos treinos em sua rotina


Cada pequeno passo na dança pode ser proveitoso. Esta primeira dica, apesar de simples, é muito valiosa.


É muito comum ouvirmos relatos de pessoas que convivem com dançarinos dizendo que vêem a pessoa rodopiando em casa, ou dançando enquanto executa alguma tarefa. Eu confesso que aqui em casa a louça é lavada no ritmo da zabumba que está em minha mente, geralmente executando algum movimento de tronco. Se você nunca pensou nisso, recomendamos a criação de uma regra, por exemplo: "toda vez que eu for tomar água eu vou nas pontas dos pés", ou quem nunca brincou de "não posso pisar nas linhas" da geometria do seu piso? Se não estiver escutando, mentalize uma música e, a partir de então, pense: "só posso andar dando passos dentro do ritmo". Ou ainda, se for pegar algum objeto, "devo pegá-lo fazendo um enfeite no braço diferente a cada vez".


De forma complementar, uma das coisas que mais admiro na dança de outras pessoas é a capacidade de improvisar, de mesmo com básico, conseguir encaixar diferentes movimentos que deixam a dança ainda mais bonita: seja um enfeite com os braços, seja uma brincadeira com as pernas durante o repique ou mesmo a troca de braços durante um abraço. Esses pequenos detalhes, uma vez dominados, elevam a dança a um outro nível e podem ser executados sozinhos.

E em alguns momentos, assim como eu, você pode não arriscar esse tipo de enfeite por puro medo e insegurança de não dar certo na hora H, de perder o ritmo ou se desequilibrar. Mas, tudo é uma questão de prática! E se você ainda não se sente segurx para praticar enquanto dança com o seu par, mais uma vez você pode abusar dos treinos solo dentro de casa para aprimorar.


Aproveite enquanto está sozinho para praticar aqueles enfeites que na hora da dança, na frente de outras pessoas, você possa ficar com medo/vergonha de testar e por isso nunca executa e, consequentemente, não aprimora. Assista a vídeos sobre enfeites no repique, desenhos de braços ou diferentes marcações do forró e vá replicando. O treino e a repetição vão te dar segurança para executar tudo isso quando estiver na dança a dois.


 

2. Treinando sua musicalidade: ESCUTE MÚSICAS DE FORRÓ!


O primeiro passo para o desenvolvimento da musicalidade é bem simples: ouvir forró - ou mesmo outras músicas que, apesar de não serem do gênero, são dançantes.

Isso é muito sério!

Ouça! Quanto mais, melhor. Quanto mais músicas você conhece, mais facilidade você terá para dançar nos mais diversos ambientes. Quanto mais você conhece uma música, mais recursos você conseguirá ter para explorá-la na dança.

Precisa de foco? Tente parar tudo o que está fazendo e concentrar em uma música, tentando perceber a maior quantidade de detalhes possíveis que ela a possui. Ainda em casa - e seguindo a dica #1 - tente conciliar alguma tarefa principal que você esteja executando com uma playlist de forró ao fundo. Provavelmente, a academia de dança que você acompanha possui uma playlist no Youtube ou Spotfy, ou mesmo se baseia em alguma, mas de toda forma não posso sair daqui sem indicar estas:


Seja Nanuque - Spotify: Criamos, especialmente pra você, um canal no Spotify com diversas músicas, organizadas em diversas playlists. Que tal uma playlist para cada signo do forró? Aqui você vai encontrar.

ForróStream - Youtube: se você já ouviu forró, alguma vez na vida, você certamente já ouviu este canal. Criada por um professor de forró que eu recentemente pude conhecer e admirar muito pela dança, didática e criação de playlist.

Filhos do Forró - Youtube: playlist desta academia de dança de Poços de Caldas que me agrada muito em sua variabilidade e estilo.

Forró - Pé Descalço - Spotfy: se você tem a playlist da sua academia de dança, eu tenho a da minha =D. Há até uma playlist exclusiva de lentas, mas deixo aqui a genérica que é minha queridinha.


Como um bônus, algo que considero extremamente valioso é escutar a música em reprodutores diferentes, principalmente speakers e fones intra-auriculares, se possível. Cada forma diferente em que escuto a música me permite notar instrumentos, variações, batidas diferentes que são enfatizadas em cada um.



 

3. Forró online


Durante a quarentena, muitas academias e muitos projetos de forró começaram a gerar conteúdo online como uma forma de atrair/manter o público. Isso vem se popularizando bastante com as famosas lives do Instagram. Estes conteúdos são bem diversos e adaptados para vários níveis e foi uma forma prática que academias e profissionais da dança encontraram para continuar espalhando seus ensinamentos e alegria em época de confinamento. Separei alguns abaixo, dentre os que eu mais acompanho. Você que também tem um projeto de forró online, comenta aí, conta pra gente sobre seu projeto que ficaremos felizes em divulgar por aqui.


@forrodasbonita - Um projeto que eu conheci recentemente e não há como não amar. A Juliana Freire é uma dançarina excepcional, professora e pesquisadora de forró. Ela posta muito conteúdo anticapitalista e antimachista, como descrito por ela própria. Em seu projeto, ela fornece aulas de dança, consultorias, análise de dança por vídeo e curso de formação crítica. Opção é o que não falta!


Pé Descalço - Gente, sem jabá eu juro (inclusive, Pé Descalço, estou aberto a patrocínios) mas a maior academia de dança do mundo está agora também com sua plataforma online. Pra quem já é aluno, tem o PD Em Casa, para continuar acompanhando os conteúdos, cronogramas e dar continuidade ao aprendizado. E pra quem quer começar aprendendo em casa, há o PD Online, com aulas gravadas para quem quer aprender do zero, mesmo que sozinho.


@joaoeandrezzadanca - Pensou no casal de professores mais top da galáxia, pensou em João e Andrezza. Esses gurus da dança dão aula em grupo, individual, workshop, fazem apresentação, examinam, treinamento pra professor, enfim..

Pare tudo e siga eles, muito conteúdo para quem conduz ou é conduzido, muitas dicas para melhorar sua dança, muitas lives e direto tem desafios para a gente cumprir.


Com bastante material pra treinar em casa, fica difícil dar desculpa para não praticar, não é verdade? Mesmo antes de ter consciência disso, sempre defendi que o aprendizado se dá pela prática, que ele é naturalmente baseado no método da tentativa e erro, e a teoria, o estudo é algo (muitíssimo) valioso que caminha lado a lado à prática.

Assim como não é possível se tornar o dançarino do seus sonhos somente estudando sobre o assunto, provavelmente você não o tornará sem um bom material de apoio. Portanto, forrozeiro, se atente a estas valiosas dicas para que você consiga imergir mais no mundo do forró, se achar como dançarino e até entender mais sobre porque tudo é como é.


 

4. Se veja dançando


Você já se deparou em situações onde estava observando outras pessoas dançarem? Provavelmente conseguiu identificar ali o estilo, o corpo de dança, pontos fortes e fracos daquelx dançarinx, certo?


Agora, e quanto a você mesmo? Você já se observou dançando?


Saiba que um excelente exercício para o nosso desenvolvimento é o autoconhecimento! Portanto, uma dica é dançar sozinho em frente ao espelho. Enquanto você se arrisca numa dança solo, poderá observar a movimentação do próprio corpo, seu controle, sua sustentação, marcação, entre outros pontos fundamentais da sua dança.


Para completar, veja como você já dançou. "Recordar é viver intensamente". Relembre de tudo aquilo que você aprendeu, tente relembrar os passos, as dicas, seus vídeos dançando, o máximo de material daquilo que você já vivenciou ou mesmo que já viu em uma outra circunstância.


 

5. Dedique um tempo à leitura.


  1. Começando pela leitura tradicional, a bíblia do forró, "O Fole Roncou! Uma História do Forró". Um livro em formato de narrativa que faz a gente ler mentalizando a voz dos próprios personagens, conta a história da raiz do forró, com muito cross over de histórias e ressaltando os conflitos internos (políticos) e externos (culturais) que o forró sofreu até se tornar o que é hoje. Essa é a maior e mais completa das dicas, um livro que eu quis ler a muito tempo e fui recentemente incentivado pelo meu ídolo e professor Lucas Dumont.

  2. Já na mídia digital, é impossível falar em aprender sem indicar o Blog de dança do Felipe Raso. O Raso é um excelente professor e sempre esteve entre as minhas maiores referências na dança. Seu blog possui um conteúdo técnico riquíssimo, muito pertinente, e ele desenvolve de tal forma que você consegue absorver o conteúdo independente do seu nível de dança (e do seu idioma, if you know what I mean). Imparcialmente, o meu post favorito dele é como dançar com pessoas de diferentes níveis, uma dificuldade que eu sempre tive que foi respondida com maestria.

  3. Outro blog com autoridade que vocês podem conferir é o blog do XiadoDaXinela, com temas pertinentes diretamente relacionado ao forró. Posso apostar que você vai ver algo que também já passou pela tua cabeça.

  4. Por fim, recomendo a matéria Coluna Discos para descobrir em casa – 'O canto jovem de Luiz Gonzaga', Luiz Gonzaga, 1971, uma leitura rápida do colunista do G1, Mauro Ferreira. O álbum marca um trecho importante da história musical brasileira que, em época de ditadura, se via bem influenciada pela modernidade da MPB nos anos 60. A matéria conta sobre como o baião tentava resistir ao MPB através do disco "modernizado" de Gonzaga. Mas Gonzaga, em sua tentativa de retomar ao trono, dá o recado junto com seu maior parceiro e compositor por meio da faixa "Bicho eu vou voltar".



 

6 Séries, Filmes e Documentários


  1. Humberto Teixeira: o Doutor do Forró é homenageado pelo documentário "O Homem que Engarrafava Nuvens" (2009), que relata a trajetória do compositor, idealizado e produzido por sua filha Denise Dumont. Um dos documentários que mais gostei, por mostrar o rosto pouco conhecido, em comparação com sua grandeza. Além de poder conhecê-lo um pouco mais, me chamou muito a atenção conhecer também o lado escuro de Humberto Teixeira, como o fato de ele não autorizar sua filha a utilizar seu nome na carreira de teatro, por julgar uma profissão indigna. Sem mais spoilers, assistam!

  2. Se está mais interessado na trajetória do popular Rei do Baião, a minissérie global "Gonzaga - de pai pra filho" (2012), com ambos diretor e roteirista do filme "Dois filhos de Francisco", mostra a história do Rei do Baião com maior atenção voltada à sua relação conflitante com seu filho, Gonzaguinha. Mostra a vida do Rei por um ângulo que faz a gente entender melhor certos detalhes da letra de suas músicas. A série consegue nos aproximar de forma emocionante da cultura brasileira.

  3. O que não falta é assunto sobre Luiz Gonzaga. Uma fonte cultural que não pode faltar aqui é o documentário "Luiz Gonzaga - Vida, Música e Conquistas", produzido pela TV Assembleia do Ceará, uma história da trajetória musical da maior influência no forró, com muita música e uma narrativa que prende bem a atenção. O mais rico de detalhes dentre as histórias que eu já vi e ouvi, com muitos historiadores e musicólogos mostrando, contextualizando e referenciando a trajetória do Luiz com a do nosso país.

  4. Por último, mas não menos valioso, o breve documentário "Forró - Minha Vida", mostra o ponto de vista de quem ama e sobrevive do forró. Spoiler: há um curto depoimento de seu Luiz falando da criação do trio Zabumba, Sanfona e Triângulo e há muito conteúdo técnico de qualidade explicado por bandas e artistas contemporâneos, como Trio Xamego, Trio Dona Zefa, entre outros. Se você ainda não assistiu, vale a pena!

 

Conclusão


Espero que as indicações e dicas sejam bem valiosas e que você possa usufruir de algo dito aqui para te deixar mais próximo do forró. Agradecemos muito por sua leitura até aqui, para dúvidas, sugestões, críticas ou mesmo para nos dar um oi, comente aí abaixo.

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